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Mensagens

No reino dos passarinhos

Esfera, esfera após esfera alaranjada, Enche-se o saco e a fruta é em cubos brancos despejada, Avistam-se carreiras que apontam para um infinito, Desenhado de linhas retas num mar verde em terra inscrito Fazem-se circunferências, dança-se com a árvore generosa, Sobem-se degraus e se declamam dois dedos de prosa, Gradualmente o arvoredo fica aliviado da sua carga, Gradualmente ficará doce a laranjinha prematura e amarga Enquanto não pára o ciclo das recoltas, Pelas escadas de alumínio sobem os apanhadores, Mergulhando na brisa, apreciando os arredores, No reino dos passarinhos as esperanças voam soltas Essas esperanças pagas a preço de suor, Suor que rega raízes e torce pessoas, Cansaço tantas vezes sem louvor, Não obstante, Sonho - tu voas Um novo dia, no reino dos passarinhos… É por vezes tal a tranquilidade, Harmonia e sentimento de união, Apesar de ser grande a disparidade, Os homens como pássaros livres serão Fotografia de Espaço Visual: www.espaco-visual.pt/laranjas-de-portugal

Elogio ao mar

Foto: www.pexels.com/pt-br/foto/pintura-abstrata-azul-e-branco-1802268 Força bruta e mesmo assim gentil, o plano para os sonhos de um povo, Após aventuras e desventuras mil guardas mistérios e apelas para o novo Tantas são as bênçãos que tu trazes, desde a maresia até o alimento, sacias o olhar, o espírito sedento, pões à prova os homens capazes Seja na maré-cheia ou na maré-vazia, as tuas ondas trazem sabedoria, quem queira ler encontrará os sinais na geometria, cores e inúmeros animais Dedicado à memória do amigo Dr. Rui Company

Folhas das nossas almas

Se tiveres triste e abatido, com sensação de que tudo acabou, lembra-te, mantém presente nos sentidos que as árvores perdem as suas folhas, as asas dos pássaros repousam voo Ainda assim as folhas voltam a brotar, a Primavera chega aos nossos olhos e vemos pássaros nos céus a planar Ser árvore com o Outono não termina, nem o Outono expulsa para sempre as andorinhas das suas casas de argila, É bom ter nos sentidos presente

Os Sufis e a sua dança

Imagem de  shirly90.deviantart.com Os ingénuos pelos outros troçados, incapazes de ver a maldade alheia são com visão de beleza abençoados, e a realidade para os segundos é feia Beleza de intermináveis e subtis sinais, sublime ordem nas plantas e animais, da mais ínfima partícula aos planetas Esperança, esperança, esperança A alma pode ser perfurada pelas setas da maldade, mas sempre elevadas metas  salvarão, quem a Misericórdia alcança Pouco sabem eles que a dança dos Sufis não é em torno do "eu" é espiral de quem sacode esse véu e com o Belo Mistério se entrança Num oásis o seu ser descansa Quem pode odiar o deserto? Quem pode odiar o jardim? Ambos cumprem o seu fim, trazendo de longe para o perto a música do Universo sem fim Que belo que ele é! E não é virar-se para o Belo remédio para a mágoa? E a espiral do espírito um antídoto para a agressão? Do mesmo jeito que é para a chama ardente a água, e para a terra as ervinhas que das cinzas nascerão

Amor romântico

Podiam chamar-te amargor, amêndoa amarga açucarada, cuja ilusão é desmensurada, no tamanho da causada dor e em tanto desviada, da sua origem, da sua flor De quantos és o ouro falso, vergando em vez de elevar, fazendo cavaleiros descalços, sobre vidro estilhaçado caminhar Mas se o ouro dos tolos és, em abundância, é verdade, Escondes a existência, talvez, do veraz ouro da Humanidade

Último girassol amarelo

Numa multidão de meninos esfarrapados, Tu ainda não perdeste a esperança De cabisbaixo, cabelos loiros arrancados, Desanimo, que a ti não alcança Se para os outros já não vale a pena, És último guarda do teu Sol amado, Resistes, ainda que cansado, Procurando realização plena Um Dom Quixote da planície, Uma planta aparentemente fraca O tempo é um precipício, Não fosse o fim um novo início

Animal de rua

Animal de rua, órfão do destino, com que gratidão aceitas qualquer mimo, Isto é, quando não estás traumatizado, pois mão humana fez o teu destino atrofiado Tu és da rua só de estado, só de nome, porque tens dignidade para muito mais não mereces nem o frio, nem a fome mas tens amor para o mundo e os demais É tal uma definição de nobreza, quem perante mágoa sem ódio ou rancor, no meio da miséria e da pobreza, elevado espelha um mundo melhor